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Saúde sustentável em tempos de pandemia

Editorial - 23 de Março de 2020


Saúde sustentável é a diretriz principal do Instituto Contemplo. O debate sobre a sustentabilidade da saúde faz-se ainda mais imprescindível nesse momento em que o mundo atravessa a pandemia do coronavírus (covid-19) e com o aumento do número de casos no Brasil.

Quando falamos em saúde sustentável precisamos pensar o que será mais efetivo a curto, médio e longo prazo. Em se tratando de coronavírus, as questões mais importantes são exatamente as que recomendou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus: isolamento e teste em todos os pacientes com os sintomas da doença.

A experiência dos países que já passaram e estão passando pela epidemia demonstra que o isolamento é a medida mais efetiva para evitar – ou pelo menos conter na medida do possível – o crescimento exponencial de casos. Vimos que a demora em tomar essa ação causa grandes problemas num futuro bem próximo, apenas adiando o inevitável e levando a um isolamento tardio forçado, sem a possibilidade de uma estrutura e logística necessárias e possíveis quando feito de forma antecipada e programada. Ou seja, a hora de se fazer isolamento no Brasil é agora, mas pensando na nação como um todo e não com decisões isoladas, com alguns estabelecimentos fechando e outros que não são considerados essenciais permanecendo abertos. Com isso, só se muda o local de transmissão; não a interrompemos.

A outra medida, o teste de todos os pacientes que tenham os sintomas da doença, é a base para qualquer definição que se vá tomar. Quem atua com políticas públicas sabe bem que o primeiro passo é conhecer todo o seu público, para definir o que fazer com quem. Precisamos saber quem está efetivamente doente, ter a dimensão real do problema, encarar de frente a epidemia pelo olhar do sistema público de saúde para definir quem são os pacientes, quantos são, onde eles estão e, principalmente, onde deverão estar.

A partir dessas duas premissas podemos então passar a pensar na saúde de forma abrangente de toda a população, sem deixar de lado questões essenciais de saúde mental. A pandemia por si só já agrava quadros de ansiedade e depressão. Como essas pessoas ficarão durante o isolamento? O que faremos com os quadros que se agravarem? Temos hoje uma excelente ferramenta que é a internet, que chega a milhões de lares e pode ajudar a levar não apenas informação, mas conforto, alívio, entretenimento e saúde mental aos que estão isolados. Vimos exemplos na Itália de professores que se reúnem virtualmente diariamente com os alunos e causam até mesmo emoção nas crianças. A sensação de continuar pertencendo a um grupo social mesmo estando isolado faz toda a diferença. Temos que ter isso em mente para nos preparar.

Necessitamos ter no radar ainda o grupo que, pelo que se sabe até agora da epidemia, é o mais afetado, os idosos. Justamente uma das parcelas da população que precisa de mais cuidados físicos e psicológicos é a que está mais suscetível a essa epidemia. E o que estamos fazendo com eles? Fiquem em casa e esperem passar? Não pode ser assim – precisamos de uma política efetiva para garantir que eles tenham o suporte necessário para superar esse momento difícil que todos atravessamos.

Outros grupos frágeis e considerados de maior risco também devem receber um olhar mais atento, como pacientes de doenças do coração e oncológicos. Como ficarão os tratamentos? Cirurgias que não são de urgência estão sendo canceladas. Como fica esse paciente que contava em tirar o câncer de seu corpo em alguns dias? O que isso impactará a doença e sua saúde mental? E os tratamentos contínuos, como quimioterapia, que apesar de reduzir a imunidade, são essenciais para combater o câncer – qual será o meio alternativo para que o paciente possa seguir lutando contra a doença? Quando o coronavírus passar, esses pacientes continuarão tendo que lidar com o tumor.

E, mais importante, precisamos pensar unidos, como sociedade. A postura individualista de acreditar que pode pegar o vírus porque é jovem, porque não terá muitos sintomas e sua vida não será afetada é o grande equívoco. O que afeta um, de uma forma ou de outra, acabará afetando a todos. Pensar e enfrentar a epidemia unidos é o que possibilitará que atravessemos esse momento para chegar a uma sociedade quem sabe melhor após o coronavírus, com uma consciência maior de saúde sustentável, mas só o faremos seguindo juntos, como cidadão brasileiros.

Instituto Contemplo

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